Novembro 26, 2006
fotografando o dia (53)
Chuva
lavas caminhos de penas
deixando que neles se inscrevam
rastos de outros penares
lavas e levas as penas
das lágrimas que as ondas levam
além dos mares
dos olhares.
- foto e poema de Jorge Castro
Novembro 24, 2006
100 anos... em bebedeiras de azul
A Catedral de Burgos
A catedral de Burgos tem trinta metros de altura
e as pupilas dos meus olhos dois milímetros de abertura.
- Olha a catedral de Burgos com trinta metros de altura!
- António Gedeão
Novembro 22, 2006
Dionísio Leitão e as imagens que falam
Conhecem-no?... Esse mesmo! Descido das lides 'catedralíceas', mas sempre guindado à arte de fazer falar as imagens, Dionísio Leitão expõe um belo conjunto de trabalhos fotográficos no bar "Inda A Noite É Uma Criança", ali à Praça das Flores, em Lisboa.
Na inauguração, ontem, dia 21, tive o prazer e a distinção de ser por ele convidado a dizer poemas meus, sequenciando alguns bons momentos passados aqui pela 'blogosfera', em que procurámos a fusão da palavra com a imagem.
Passem por lá. O ambiente é calmo, a música é boa... e as fotos são óptimas.
E, por falar nisso...
... ainda um breve comentário ao VI Encontro d'A Funda, em Setúbal, a 18 e 19 de Novembro:
Tudo correu bem. O riso retirou margem de manobra à hipocrisia e encontrámo-nos, uma vez mais, num grande abraço. E larga e farta comezaina com loucuras várias, à mistura (
ver fotos).
A organização, desta feita a cargo d'
A Funda São e de
Pedro Laranjeira, foi ouro sobre azul. Até os golfinhos do Sado brindaram ao evento!
Novembro 18, 2006
Bocage - Setúbal - VI Encontro d'A Funda São
Mas, uma vez mais, haverá a oportunidade de soltar umas boas gargalhadas, apurar a riqueza do nosso léxico, tudo isso estimulado por um bom repasto em boa companhia.
NOTA de 19 de Novembro de 2006 - VER FOTOS
AQUI (ou ali do lado esquerdo, mais ao fundo)
Ontem, solidarizei-me com a manifestação dos professores junto ao Ministério da Educação. E, nessa altura, quantas vezes me apeteceu invocar Bocage... ou citá-lo.
Afinal, o que se esperaria de um Ministério da Educação (como de todos) seria a motivação, a aposta no envolvimento dos seus agentes, o desafio para as melhorias - todas elas diagnosticadas à saciedade e ao enjoo.
E o que temos? A vergasta. O palavrório pseudo-liberal e pseudo-modernaço-tecnocrata, emitido ora em sorrisonhos hipócritas, ora em esgares enfastiados por uma tropa fraldiqueira de iluminados de meia-tigela, que têm sempre o último grito - pago a peso de ouro aos consultores mais prà-frentex - sobre a arte de bem massificar tudo e todos.
De sindicatos, lá vamos indo, ainda que com muita falta de "golpe de asa".
Nas escolas o caos vai-se instalando, por anos e anos consecutivos de derivas "políticas" ao sabor de ventos, marés e correntes, aniquilando saberes e vontades. Estamos, na verdade, a hipotecar da pior forma o futuro, através daquilo que o futuro tem de mais certo, que são as novas gerações.
Ora, merda para estes ministérios e seus provisórios inquilinos - que nós, masoquisticamente, pagamos!
Prefiro um encontro com Bocage... O Pina Manique não foi convidado.
Novembro 14, 2006
fotografando o dia (52)

temos a cara que temos
rimos
sonhamos
e vemos com o olhar que sabemos
mas quanto seria bom
que para lá do nosso olhar
nos descobrissem o dom
de sermos feitos de mar
- foto e poema de Jorge Castro
Dia 15 de Novembro, pelas 22 horas,
na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana,
mais uma sessão de
NOITES COM POEMAS.
Tema para a noite: "Gedeão com 100timentos"
Entrada livre e airosa. Além de um amigo, traz um poema, também.
Novembro 13, 2006
evocando David Mourão-Ferreira
Talvez por este Verão tardio a que a convenção chama de Outono e porque, afinal, ainda há tanta folhgem no (esparso) arvoredo da cidade, lembrei-me de David Mourão-Ferreira...
vês o mar ondulando nas varinas
nas ruelas de que a Lisboa se eiva
e por vezes sabes dos seios colinas
gotejantes ramagens de Outono e seiva
trazes vidas que nas redes já se enredam
nesses limos colhidos em verde-mar
fazes hinos que nalgum leito segredam
inconstâncias e perfídias do amar
e os poemas - um a um de cada vez
são um fogo ao rés do mar tecendo malhas
no areal de luar feito e de nudez
cruzam voos de outra paz contra as muralhas
na vertigem do amor que nos deixaste
nessa alma tão plangente em cada ausência
nesse cada verso teu que nos cantaste
a mulher é o outro eu de calma urgência
e cuidava eu há pouco ainda ouvir
calmarias da tua voz na luz difusa
da lanterna que dá ao beco um fremir
de ausências e saudades de alma lusa.
- poema de Jorge Castro
Novembro 08, 2006
João Firmino lança o seu "Mas Eu Construí"
No próximo dia 12 de Novembro, pelas 17 horas, na FNAC do Chiado,
João Firmino lança o seu livro "Mas eu Construí"...
Mais um companheiro de andanças por esta "comunidade", que conheci através do projecto
A Poesia Nos Blogs, e que lança um seu trabalho, através da Papiro Editora.
Exprimindo-se através da poesia ou da prosa poética, surpreender-nos-á também com os seus textos musicados.
Contará, no lançamento, com apresentações a cargo de Ofélia Bomba, José Fanha e Jorge Castro.
Quanto à obra... pois, apareçam e ouçam, vejam e leiam. Depois, se vos apetecer trautear, o João Firmino não se incomodará nada com isso.
Novembro 06, 2006
fotografando o dia (51)
António é o meu nome
Gedeão depois de António
trago-o da terra dos sonhos
onde nasce a estrela de alva
pedi ao Rómulo um nónio
combati medos medonhos
com a paixão que nos salva
fui mestre desse saber
que de saber mais se faz
numa alma sem ter amos
e não se me deu de ter
mas de ser e ser capaz
de criar porque sonhamos.
- foto e poema de Jorge Castro
(foto obtida através do cartaz da exposição sobre António Gedeão/Rómulo de Carvalho.
Estamos em Novembro de 2006. Dentro de dias António Gedeão/Rómulo de Carvalho fará 100 anos. Com ele(s) sempre vivi e aprendi a viver mais e melhor. Foi, como diria o meu caro José Fanha, um português aqui.
Os seus poemas são modelos de simplicidade, erudição e diálogo. Cristalinos e avassaladoramente contundentes. Graciosos mas desassombrados.
Com ele(s) sempre viverei - mais e melhor.
Novembro 02, 2006
Até amanhã, dia 03, no bar do Mercado da Ribeira... lá pelas 23 h
Fui submetido a uma intervenção cirúrgica (de foro estomatológico) da qual estou recuperando bem, muito obrigado...
Claro que ninguém tem nada a ver com isso, nem com a profundidade abissal do meu umbigo, mas apeteceu-me desabafar um pouco neste privilegiado lugar de "desabafações"...
Levou 15 anos 15, como se diz nas touradas, a diagnosticar o mal de que eu padecia, incontáveis horas de espera e outras tantas de boca aberta, não de pasmo, hélas!, mas de receptividade a picadelas anestésicas, brocas, alicates, torniquetes e toda essa panóplia de instrumentos de tortura conhecidos dos pacientes estomatológicos, com total bonomia e espírito de colaboração, para se concluir, por fim, algo que, de tão óbvio, faria o ovo de colombo partir-se ao meio, à gargalhada.
E quanto dinheiro correu, senhores, por baixo da ponte de tanto "trabalho a despachar", mas sempre com ladainha do venha-a-nós-o-vosso-reino (= a euro) ao pé da boca.
O que é que se passa nesta terra? Oi... Alô?... Ainda vive cá alguém?...
Entretanto, já bastante recuperado, irei amanhã, dia 03 de Novembro, lá pelas 23 h até ao bar do Mercado da Ribeira, com o meu amigo Rui Farinha, dizer uns poemas à volta do Caos Organizado. Apareçam, que o caos sem gente não tem graça nenhuma...
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