Março 31, 2006
Hoje, com votos de uma boa gargalhada:
Acabadinha de chegar à minha caixa de correio
Asseguram-me que são textos reais, escritos em centros paroquiais autênticos, que alguém se dedicou a copiar de quadros informativos desses centros. O riso, certamente, será genuíno.
ANÚNCIOS PAROQUIAIS
“Para quantos de entre vós têm filhos e não o sabem, temos um espaço preparado para as crianças.”
“Recordai na oração todos aqueles que estão cansados e desconfiam da nossa paróquia.”
“O torneio de basquet das paróquias continua com a partida da próxima quarta-feira à tarde: vinde animar-nos, enquanto procuramos derrotar Cristo Rei.”
“Por favor, metei as vossas ofertas dentro de um sobrescrito, juntamente com os defuntos que quereis fazer recordar.”
“O pároco acenderá a sua vela na do altar. O diácono acenderá a sua na do pároco e, voltando-se, acenderá um a um todos os fiéis da primeira fila.”
“Quarta-feira à tarde, ceia à base de feijocas no salão paroquial. Seguir-se-á o concerto.”
“O custo da participação na reunião sobre “oração e jejum” inclui as refeições.”
“O grupo de recuperação da confiança em si mesmos reúne-se na quinta-feira, às 7 da tarde. Por favor, usai a porta de trás.”
“Na sexta-feira, às 7 da tarde, as crianças do Oratório representarão “Hamlet” de Shakespeare, no salão da igreja. A comunidade está convidada a tomar parte nesta tragédia.”
“Queridas senhoras, não esqueçais a venda de beneficência! É um bom modo de vos libertardes das coisas inúteis que estorvam em casa. Trazei os vossos maridos.”
“O coro das pessoas de sessenta anos dissolver-se-á durante todo o Verão, com o agradecimento de toda a paróquia.”
“Na quinta-feira, às 5 da tarde, haverá uma reunião do grupo das mamãs. Roga-se a todas as que queiram fazer parte das mamãs que se dirijam ao pároco no cartório paroquial.”
“Tema da catequese de hoje: “Jesus caminha sobre as águas”. A catequese de amanhã: “À procura de Jesus”.”
Março 29, 2006
"Couves E Alforrecas" ou M.R.P., a inominável
Há nomes que, se virmos bem, não se enxergam. Há, porventura, nomes que, se atentarmos ainda um pouco melhor, nem existem... (ver notícia a propósito
aqui)
M.R.P. - e perdoar-me-ão que não estenda o nome mas, pelos vistos, não se pode pois é marca registada (!?!...) - não quer que João Pedro George lance ao mundo o seu livro "Couves E Alforrecas: Os Segredos Da Escrita de M.R.P" (uma vez mais, não se pode dizer aqui o nome...), livro no qual aquele professor e crítico literário se debruça perigosamente sobre a obra iridescente e, quiçá, apologética da retumbante M.R.P. (peço, de novo e sempre, desculpas), tendo, até, descoberto ou desvendado diversíssimas coincidências na autora de "Não Há Coincidências".
E não quer tal através de providência cautelar que pretensamente obrigaria à recolha da obra, pela singela razão de que o autor, segundo a nossa seráfica M.R.P., difama, viola direitos de personalidade (?) e direitos de autor, além de perpetrar, ainda «ofensas graves» à escritora.
O editor de M.R.P., o A.L.F. da O.L. (aqui, as cautelas recomendam também o uso das iniciais, não vá o Diabo tecê-las...) ajuda à corda do sino, afirmando angelicalmente que o livro de João Pedro George se "trata de um proveito próprio para tentar ganhar dinheiro, através do trabalho dos outros» - seja lá o que for que isso queira significar e, se é o que parece, se não se trata de um desidério perseguido por uma boa parte da humanidade.
Mas será a M.R.P. o próprio Deus reencarnado? Ou pensará que o é - o que vai dar quase ao mesmo? E que, assim sendo, além de inominável, é intocável? Incensurável? Inapreciável? Inqualificável? Inenarrável?
Eu sempre pensei que isto de escrever umas coisas, por aqui e por ali, tem muito a ver com aquela situação proverbial de que quem anda à chuva se molha. Mas M.R.P. não pensa assim. Ela anda à chuva, mas seca, numa nova versão do milagre de andar sobre as águas (pisando as pedrinhas dissimuladas sob a superfície).
E ai da nuvem que sobre ela despenhe o mais leve borrifo, que M.R.P. ergue o seu elegantérrimo bracinho aos céus da garridice e lança-lhe o anátema da providência cautelar, que não há cúmulo nem nimbo que aguente!
Então o homem quer discorrer sobre a obra pública e publicada, para aí em 4.935 edições estentoricamente lançadas a um público faminto, e a diva não deixa? Que temerá a diva? Que transcendências mirabolantes terá o crítico apurado na obra de M.R.P. a que o comum dos mortais não deve aceder segundo o furibundo diktat da inefável autora?
Oh, João Pedro George, homem, você faça-me a fineza de me guardar um livrinho das suas "Couves E Alforrecas" que eu fiquei para aqui - sei lá - a arder em impaciências e curiosidades!
E então quando o A.L.F. da O.L. refere que o João Pedro George apenas procura protagonismo... é de ir às lágrimas. Vindo, então, de quem vem faz lembrar a semi-parábola do roto e do nu, se a grossura do argumento coubesse na finura de alguma parábola.
Estas coisas tocam-me sempre numa corda meio religiosa que eu tenho ali por alturas das costelas flutuantes e não consigo evitar recorrer, espasmodicamente, a uma das bem-aventuranças, que começa assim: beati pauperes spirito... que não há um céu que os carregue!
(Sim, eu sei que estou para aqui a armar ao ingénuo e tal mas que tudo isto tem a ver com números. É o tal problema que nós temos com a matemática, pois...)
Março 28, 2006
fotografando o dia (19)
colhe a graça da garça
e a agreste candura
daquela estrela esparsa
nalgum céu de negrura
onde o azul trespassa
a infinita lonjura
- foto e poema de Jorge Castro
Março 24, 2006
fotografando o dia (18)
desencontro
arestas vivas
facas
gumes
raiva ou fome
dor de ter ou de não ter
que nos transporta
para além
do bem
do mal
da fúria à solta
até àquele lugar
além de nós
onde estamos
sem ninguém à nossa volta
- foto e poema de Jorge Castro
- foto extraída da série "Reflexos da Cidade" -
Março 21, 2006
dia mundial da poesia
Os "senhores do mundo" preocupam-se cada vez mais com a eliminação dos problemas desse mesmo mundo na perspectiva "bushquímana" segundo a qual, quando não houver mais árvores, deixaremos de nos preocupar com os incêndios...
No ilustre solo lusitano, dando bom eco desse postulado, tudo se fecha: escolas, hospitais, ctt..., até as caras dos seres viventes.
Também perdi estupidamente uma amizade e chegou, hoje, a contribuição autárquica para pagar.
Afinal, quem é que me disse que dia é hoje?... Ou, então, com quantas flores escreverei hoje algum poema?
Março 19, 2006
fotografando o dia (17)
O Sapato Afogado
junto à praia
rés do mar
estava um sapato
velho já
cambado
triste
e afogado
perdido o par na lonjura desse mar
do atacador já lhe cansava o hiato
uma onda lhe tocou
e foi medonho
naquele último alento
- como que em voo frágil solto ao vento -
para reter o que há na vida de um sapato
prendeu-se à praia
mas perdeu o sonho.
- foto e poema de Jorge Castro
- este poema foi publicado no livro "Contra A Corrente" -
Março 17, 2006
A Paris!
Um muito breve apontamento, apenas para referir que, em França, especialmente na sua capital,
com todos os possíveis defeitos ou idiossincrasias, se respira, ainda.
E nem o ar rarefeito das poluições todas impede que o direito à indignação ultrapasse as barreiras limitadoras da demogagia e da prepotência, numa tentativa poderosa de rasgar outros céus e outros horizontes.
Talvez hoje e aqui faça sentido, parafraseando um dito célebre, dizer:
"Je suis um parisien!"
Março 15, 2006
Hermético Hélder?
Questão momentosa:
Herberto Hélder, um poeta de referência ou alguém cuja transcendência poética
coloca em "fora de jogo" a grande gneralidade dos seus possíveis leitores?
Falar-se-á sobre isso, hoje, dia 15 de Março, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, em mais uma sessão de
Noite Com Poemas:
Hermético Helder?
Ainda mais além da poesia
Há dias coloquei uma foto com um pequeno poema e, nessa foto, está alguém que ontem deixou de estar fisicamente perto de nós, para sempre... A ela:
a tua vida
há
algures
uma nuvem que se aviva na memória do teu rosto
do teu carinho
das tuas impertinências
tenho
à minha volta
a tua voz como alimento do meu tempo
não sei chorar a tua ausência
porque não te sinto ausente
mas não sei porque o sentir-te assim presente
provoca em mim esta comoção de lágrimas
éramos dois neste caminho
mas só eu fico
e o caminho continua passo a passo
tenho e sinto esta dor a oprimir-me em fogo o peito
mas estou certo de te encontrar tranquila em mim
sempre que os meus dias se encham de solidão.
- Jorge Castro
Março 13, 2006
curiosidade literária...
(acabadinha de chegar à minha caixa de correio)Se o Mário Mata,
a Florbela Espanca,
o Armando Gama,
e o Jorge Palma,
O que é que a Rosa Lobato Faria?
Março 11, 2006
A Poesia Nos Blogs - algumas imagens
Alguns dos momentos do encontro que teve lugar na
Quinta da Ribeirinha - Póvoa de Santarém, em 04 de Março de 2006,
sobre poemas e poetas da blogosfera nacional podem ser visualizados
Março 08, 2006
fotografando o dia (16)
DIA INTENCIONAL DA MULHER
ruga a ruga
são histórias
que se contam no sorriso
volta e meia são memórias
de quem vai perdendo o siso
ao contar só por glórias
mágoas
dor e sofrimento
...
depois fica tal o vento
um pensamento indeciso
por se cumprir na memória
o alimento preciso
- foto e poema de Jorge Castro
Rectificação: Como muito bem alerta, de além-mar, a Márcia Maia,
a canção de Geraldo Vandré tem por título
"Caminhando ou Pra não dizer que não falei de flores".
Março 05, 2006
A Poesia Nos Blogs
- do menino do Lapedo a Viriato,
passando pela Quinta da Ribeirinha
(Dedico este texto aos meus amigos Fernanda Frazão e José Fanha, companheiros preciosos na realização do encontro)
Pela Póvoa de Santarém, na Quinta da Ribeirinha, a 4 de Março, reuniram-se quarenta e cinco poetas, vindos das quatro partidas da nossa terra, afrontando vendavais e sacudindo conformismos, dando corpo e viva voz a esse movimento de poesia que flui diariamente pelo mundo dos blogs.
Presentes esses quantos e outros mais que participaram por mensagens ou mensageiros, não podendo, de corpo, estar presentes.
Recebidos num excelente espaço, recheado de apetecíveis iguarias e vinhos da região, reviveram-se porventura ancestrais encontros de bardos que, entre libações e rituais encantatórios perdidos na penumbra densa do tempo, exorcizavam medos, entoando cânticos e poesias à vida e aos afectos, assim transmitindo testemunho à geração vindoura.
Somos, enfim, esse país de poesia e de poetas. Múltiplos, diversificados, truões ou apaixonados, de sorriso aberto à mistura de uma lágrima, em busca da utopia “mesmo na noite mais triste”.
Não há poetas bons nem poetas maus a não ser no mundo limitado e circunscrito da cabeça dos “literatos”. Há, apenas, aqueles a quem a poesia apetece e, por vezes, brota por cada poro do corpo, em cada alento da alma.
Consumi-la-á quem queira – isso é outra história! Agora, o poeta que a sente, que a vive, que a grita, lamechas talvez, talvez grandioso, esse continua a carrear “o facho na treva / ao fundo da mina / e apenas vê o que não ilumina”.
Ali, todos foram iguais e as suas vozes foram ouvidas. Para o bem de todos nós.
- Jorge Castro
Nota - para apaziguar curiosidades mais insaciáveis, aconselha-se uma vista de olhos pelas excelentes fotografias do Ognid (
Catedral) .
Março 03, 2006
A POESIA NOS BLOGS
Ponto da situação e algumas informações úteis:
- poemas participantes: 58
- autores inscritos: 26
- participantes no encontro com presença anunciada: 25
- acompanhantes, leia-se outros amantes de poesia: 16
(pormenores ali do lado esquerdo)
Para aqueles que se deslocam em viatura própria - provavelmente todos - eis umas dicas para fácil localização da Quinta da Ribeirinha, na Póvoa de Santarém:
- circulação pela A1
para quem for proveniente do norte: saída em Torres Novas.
para quem for proveniente do sul: saída em Santarém.
Num caso e noutro há que procurar a estrada antiga que efectua a ligação entre Santarém e Torres Novas. A Póvoa de Santarém é atravessada por essa estrada. Quando encontrarem um semáforo, quem vier do norte, vira à direita; quem vier do sul, vira à esquerda. A Quinta da Ribeirinha fica a uns escassos cem metros desse semáforo, do lado esquerdo da estrada.
Depois, é comer-lhe e beber-lhe. Serão adequados uns beijos e uns abraços, alguns cumprimentos informais e comprimidos para a rouquidão. Surpresas de circunstância serão benvindas.
E, assim, acontece.
Boa viagem a todos e até sábado.
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