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mundo
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas

Federico García Lorca

Sendo este um BLOG DE MARÉS, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
setembro 30, 2015

diário de campanha - momentos de reflexão (5)

É sempre tempo de aprender... Mas uma coisa que já a minha avózinha me ensinava...


... era que nada nos cai do céu, para além daquilo que a meteorologia nos mostra... e mesmo nessa há que acreditar com muitas reservas.

Vá lá a sair de casa para mostrarmos que ainda somos gente, pode ser?

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setembro 29, 2015

diário da campanha - momentos de reflexão (4)

Palavras leva-as o vento... É o que acontece aos cartazes. Agora, a verdade é que tem chovido pouco...




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setembro 28, 2015

diário da campanha - momentos de reflexão (3)

Lisboa, ali para os lados do Saldanha...

Como quase sempre inovador, Portugal de há muito encara a leva de refugiados migrantes com a bonomia de um espírito acolhedor e solidário... ou não esperássemos nós tanto que os outros fizessem o mesmo aos nossos próprios aflitos emigrantes...


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setembro 27, 2015

diário da campanha - momentos de reflexão (2)

Lisboa, algures entre o metropolitano do Campo Pequeno e a Avenida Marquês de Tomar, dois cidadãos aprestam-se a encarar um novo dia nas suas vidas...



País de tempo magnífico, este, em que a amenidade climatérica tanto convida ao turismo...

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setembro 26, 2015

diário da campanha - momentos de reflexão (1)

Muito para além dos «resultados das sondagens» que nos perturbam e esmagam este tempo de suposta reflexão pré-eleitoral  - ah, que quando eu mandar, a sua divulgação pública há-de ser proibidíssima por constituir perversão antidemocrática... -, interessa ao cidadão olhar à sua volta com os olhos que a sua consciência cívica e comunitária lhe ditem.

Tentarei, pois, reflectir neste espaço algumas imagens e parcos comentários, extraídos da actualidade muito recente que constituam elemento objectivo (tanto quanto possível) de prova quanto ao estado a que isto chegou, como diria o Salgueiro Maia.  

E cá vai a primeira:

- Todos os dias, a partir das 6 ou 7 horas da manhã, na praça de Entrecampos, Lisboa, qual lugar de peregrinação das almas aflitas, constitui-se uma longa fila de cidadãos, à porta dos serviços da Segurança Social... cujo edifício, aliás, tem vindo a deixar cair algumas partes de si mesmo, face à sua relativa vetustez e notória falta de manutenção.

A fila já tem, por sobre si, um coberto de protecção, ou não fosse aquilo a Segurança Social...


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setembro 15, 2015

o sino da minha terra

o sino da minha terra
toca a rebate à tardinha
por entre a névoa da tarde
por entre a densa morrinha
por ter acabado a guerra
pela morte da andorinha
por quanto um coração guarde
de uma alma tão sozinha

o sino da minha terra
traz consigo o vento agreste
mas traz notícias ao povo
- haja povo que se apreste -
traz o quanto a vida encerra
horizonte que nos reste
ao trazer um mundo novo
venha de leste ou de oeste

o sino da minha terra
toca a rebate à tardinha
que já se findou a guerra
que lá vem uma andorinha…

- Jorge Castro

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setembro 14, 2015

quem chamou a troika?

Não vá o Diabo tecê-las e em face das desvairadas opiniões sobre este ponderoso assunto, aqui deixo a informação de que também não fui EU que chamei a troika! 

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setembro 11, 2015

as farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam porque não são rentáveis

Foi publicada em Junho de 2011. Infelizmente foi pouco divulgada mas ainda não perdeu actualidade...

«As farmacêuticas bloqueiam medicamentos que curam, porque não são rentáveis»

O Prémio Nobel da Medicina Richard J. Roberts denuncia, em entrevista, a forma como funcionam as grandes farmacêuticas dentro do sistema capitalista, preferindo os benefícios económicos à saúde, e detendo o progresso científico na cura de doenças, porque a cura não é tão rentável quanto a cronicidade.

8 de Julho, 2011 - 16:23h

Há poucos dias, foi revelado que as grandes empresas farmacêuticas dos EUA gastam centenas de milhões de dólares por ano em pagamentos a médicos que promovam os seus medicamentos. Para complementar, reproduzimos esta entrevista com o Prémio Nobel Richard J. Roberts, que diz que os medicamentos que curam não são rentáveis e, portanto, não são desenvolvidos por empresas farmacêuticas que, em troca, desenvolvem medicamentos cronificadores que sejam consumidos de forma serializada. Isto, diz Roberts, faz também com que alguns medicamentos que poderiam curar uma doença não sejam investigados. E pergunta-se até que ponto é válido e ético que a indústria da saúde se reja pelos mesmos valores e princípios que o mercado capitalista, que chega a assemelhar-se ao da máfia.

A investigação pode ser planeada?
Se eu fosse Ministro da Saúde ou o responsável pelas Ciência e Tecnologia, iria procurar pessoas entusiastas com projectos interessantes; dar-lhes-ia dinheiro para que não tivessem de fazer outra coisa que não fosse investigar e deixá-los-ia trabalhar dez anos para que nos pudessem surpreender. 
Parece uma boa política.
Acredita-se que, para ir muito longe, temos de apoiar a pesquisa básica, mas se quisermos resultados mais imediatos e lucrativos, devemos apostar na aplicada ... 

E não é assim?
Muitas vezes as descobertas mais rentáveis foram feitas a partir de perguntas muito básicas. Assim nasceu a gigantesca e bilionária indústria de biotecnologia dos EUA, para a qual eu trabalho. 

Como nasceu?
A biotecnologia surgiu quando pessoas apaixonadas começaram a perguntar-se se poderiam clonar genes e começaram a estudá-los e a tentar purificá-los. 

Uma aventura.
Sim, mas ninguém esperava ficar rico com essas questões. Foi difícil conseguir financiamento para investigar as respostas, até que Nixon lançou a guerra contra o cancro em 1971. 

Foi cientificamente produtivo?
Permitiu, com uma enorme quantidade de fundos públicos, muita investigação, como a minha, que não trabalha directamente contra o cancro, mas que foi útil para compreender os mecanismos que permitem a vida. 

O que descobriu?
Eu e o Phillip Allen Sharp fomos recompensados pela descoberta de introns no DNA eucariótico e o mecanismo de gen splicing (manipulação genética). 

Para que serviu?
Essa descoberta ajudou a entender como funciona o DNA e, no entanto, tem apenas uma relação indirecta com o cancro. 

Que modelo de investigação lhe parece mais eficaz, o norte-americano ou o europeu?
É óbvio que o dos EUA, em que o capital privado é activo, é muito mais eficiente. Tomemos por exemplo o progresso espectacular da indústria informática, em que o dinheiro privado financia a investigação básica e aplicada. Mas quanto à indústria de saúde... Eu tenho as minhas reservas. 

Entendo.
A investigação sobre a saúde humana não pode depender apenas da sua rentabilidade. O que é bom para os dividendos das empresas nem sempre é bom para as pessoas. 

Explique.
A indústria farmacêutica quer servir os mercados de capitais ... 

Como qualquer outra indústria.
É que não é qualquer outra indústria: nós estamos a falar sobre a nossa saúde e as nossas vidas e as dos nossos filhos e as de milhões de seres humanos. 

Mas se eles são rentáveis investigarão melhor.
Se só pensar em lucros, deixa de se preocupar com servir os seres humanos. 

Por exemplo...
Eu verifiquei a forma como, em alguns casos, os investigadores dependentes de fundos privados descobriram medicamentos muito eficazes que teriam acabado completamente com uma doença ... 

E por que pararam de investigar?
Porque as empresas farmacêuticas muitas vezes não estão tão interessadas em curar as pessoas como em sacar-lhes dinheiro e, por isso, a investigação, de repente, é desviada para a descoberta de medicamentos que não curam totalmente, mas que tornam crónica a doença e fazem sentir uma melhoria que desaparece quando se deixa de tomar a medicação. 

É uma acusação grave.
Mas é habitual que as farmacêuticas estejam interessadas em linhas de investigação não para curar, mas sim para tornar crónicas as doenças com medicamentos cronificadores muito mais rentáveis que os que curam de uma vez por todas. E não tem de fazer mais que seguir a análise financeira da indústria farmacêutica para comprovar o que eu digo. 

Há dividendos que matam.
É por isso que lhe dizia que a saúde não pode ser um mercado nem pode ser vista apenas como um meio para ganhar dinheiro. E, por isso, acho que o modelo europeu misto de capitais públicos e privados dificulta esse tipo de abusos. 

Um exemplo de tais abusos?
Deixou de se investigar antibióticos por serem demasiado eficazes e curarem completamente. Como não se têm desenvolvido novos antibióticos, os microorganismos infecciosos tornaram-se resistentes e hoje a tuberculose, que foi derrotada na minha infância, está a surgir novamente e, no ano passado, matou um milhão de pessoas. 

Não fala sobre o Terceiro Mundo?
Esse é outro capítulo triste: quase não se investigam as doenças do Terceiro Mundo, porque os medicamentos que as combateriam não seriam rentáveis. Mas eu estou a falar sobre o nosso Primeiro Mundo: o medicamento que cura tudo não é rentável e, portanto, não é investigado. 

Os políticos não intervêm? 
Não tenho ilusões: no nosso sistema, os políticos são meros funcionários dos grandes capitais, que investem o que for preciso para que os seus boys sejam eleitos e, se não forem, compram os eleitos. 
Há de tudo.
Ao capital só interessa multiplicar-se. Quase todos os políticos, e eu sei do que falo, dependem descaradamente dessas multinacionais farmacêuticas que financiam as campanhas deles. O resto são palavras…

18 de Junho, 2011
Publicado originalmente no La Vanguardia. Retirado de Outra Política
Tradução de Ana Bárbara Pedrosa para o Esquerda.net

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setembro 05, 2015

anúncio (com nudez implícita)

Não sei se isto irá ocorrer (ou correr bem...), mas quero, desde já, avisar todos quantos aqui venham, que estou a pensar, muito seriamente, publicar no Sete Mares uma foto minha todo nu.

Ainda não me decidi, também, quanto à parte anatómica a expor com maior minudência, mas tal será ditado pela circunstância do momento político, claro.

Tenho a certeza, entretanto, de que toda a gente levará, a partir daí, as minhas convicções, políticas e não só, muito mais a sério!

Confesso, assim, desta forma enviezada, a minha incapacidade intelectual para compreender o gratuito inesperado de certas atitudes.

E que nos valha uma albarda...!

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