abril 12, 2017
100 Noites com Poemas
A breve trecho, divulgarei neste espaço algumas imagens do lançamento do livro-álbum 100 Noites com Poemas.
Culminar de uma longa e desvairada saga, mas rodeado de gente excelente, aqui fica lavrado testemunho para memória futura, como se diz.
E belíssimo testemunho, deixem lá que a minha vaidade e orgulho o digam!
Com a imensa gratidão que distribuo pela multidão dos presentes no evento.
Etiquetas: Mensagem
dezembro 20, 2016
Natal, o tal, sempre que a gente o quiser...
... e que afeiçoaremos como melhor nos aprouver.
De mim, recebam esta família primordial - lá está, afeiçoada por olhos que tiveram artes de ver de outra maneira - e que, sem fragilizarem o conceito, bem pelo contrário o fortalecem.
(- Artesanato da serralharia O Pinha, de Manuel Machado, em Celeirós, Braga)
O Natal é uma janela
o Natal é uma janela
que abrimos a quem passa
tão-só para cumprimentar
dando um ar da nossa graça
porque o tempo passa
passa
sem dar tempo de parar
temos musgo
e azevinho
na ombreira da janela
não vá o nosso vizinho
passar também a correr
e nem sequer dar por ela
o Natal tem afinal
esse dom de por um dia
- ou
vamos lá… por um mês –
sentirmos essa alegria
de sermos gente outra vez
de ficarmos à janela
aberta de par em par
lançando à rua um sorriso
e deixando entrar o ar
que nos varra os pesadelos
os medos
as aflições
de que estamos pelos cabelos
sem aprendermos lições
o Natal é esse olhar
que vai além da vidraça
e que nos mostra quem passa
apenas por lá passar
um tempo de ter presente
mesmo quando estamos sós
que quem quer que passe em frente
da janela que abrirmos
de repente descobrirmos
ser gente
tal como nós.
- Jorge Castro
Dezembro de 2016
Etiquetas: Efemérides, Efemérides/Poemas, Mensagem
março 23, 2016
mas que merda!
Nota (que não tem nada a ver com isto... ou talvez não):
Carais! Só para contrariar e redescobrir as cores do arco-íris, irei hoje participar em jantar de homenagem a Hélder Costa, na Associação 25 de Abril, pelas 20 horas.
Que venha, também, quem vier por bem!
Etiquetas: Mensagem
dezembro 28, 2015
Os votos de Jacques Brel,
no primeiro de Janeiro de 1968 (Europe 1)
Mão amiga fez-me chegar esta mensagem, proveniente já da lonjura do tempo mas, como é useiro e vezeiro naqueles que escrevem a Vida com maiúscula, que poderia muito bem ter sido escrita ontem ou, até, depois de amanhã... Aqui a partilho, com a ousadia de ser minha a retroversão do original, em francês:
«Desejo-vos
sonhos sem fim e a vontade furiosa de realizar alguns. Desejo-vos que amem o
que é preciso amar e que esqueçam o que é preciso esquecer. Desejo-vos paixões,
desejo-vos silêncios. Desejo-vos cantos de aves ao despertar e risos de
crianças. Desejo-vos que respeitem as diferenças dos outros, porque o mérito e
o valor de cada um estão muitas vezes por descobrir. Desejo-vos que resistam à
estagnação, à indiferença e às virtudes negativas da nossa época. Desejo-vos
enfim que nunca renunciem à procura, à aventura, à vida, ao amor, pois a vida é
uma aventura magnífica e ninguém razoável deve renunciar a ela sem travar uma
rude batalha. Desejo-vos sobretudo que sejam vocês próprios, orgulhosos de o
ser e felizes, pois a felicidade é o nosso verdadeiro destino.»
Será, porventura, a minha tradução canhestra, mas parece-me inteligível o bastante para a subscrever como uma bela mensagem para dedicar a todos para o ano de 2016. E, já agora, para os anos seguintes, também...
Etiquetas: Breves reflexões, Homenagem, Mensagem
setembro 14, 2015
quem chamou a troika?
Não vá o Diabo tecê-las e em face das desvairadas opiniões sobre este ponderoso assunto, aqui deixo a informação de que também não fui EU que chamei a troika!
Etiquetas: Humor, Mensagem
janeiro 07, 2015
Depois de tantas e tão ilustres
perorações sobre a infame ocorrência pela qual, ontem, em Paris, foram
assassinados quatro acérrimos defensores da liberdade de expressão e do livre
arbítrio – aqui entendido no seu mais assumido significado de vida em prol da
comunidade –, assassinados eles a par de vários outros seres humanos cuja única
e funesta circunstância terá sido o de se encontrarem naquele local e naquela
hora hedionda, pouco mais há a dizer que perturbe um silêncio reflexivo.
Mas uma coisa me parece clara por
entre a espessa neblina dos interesses e hipocrisias instalados: qualquer ser
humano (?) que manifeste, por pensamentos e actos, o seu tão flagrante desprezo
pela vida humana alheia, apenas pode e deve esperar dos demais um pagamento na
mesma moeda.
Entretanto, não é despiciendo que
a Humanidade no seu todo, se me for perdoada a redundante tautologia, colha
mais esta sangrenta lição que aponta para a urgência de progressiva e
incessante diminuição das assimetrias que, no mundo todo, geram os pântanos
insalubres onde medram tão abjectas criaturas como aquelas que ontem, em
Paris, dispararam infamemente contra homens desarmados, cujo único senão era o
de pensarem de modo diferente.
Vítimas estas, sim, gente como eu
e tu, que acreditam que a redenção do ser humano se encontra nele próprio, na
sua conjugação com os demais.
Etiquetas: Homenagem, Mensagem, Opinião, Pensamento crítico
dezembro 24, 2014
É Natal, não é?
Amizades,
Com tanta mensagem natalícia nesta infinidade de meios comunicacionais, confesso que hesitei em perturbar a vossa paciência com mais uma... Mas cá fica, porque sim, no entanto com o pedido expresso (ou delta café, se preferirem...) de ela não carecer de resposta. Considera-se, pois, automaticamente respondida (por este ou por qualquer outro meio), para vosso alívio e conforto - fica, assim, de mim uma pequena prenda sem jeito mas sem encargos de qualquer espécie.
Porquê, perguntar-me-eis. Pois pela profunda consciência de que não há - para ninguém - tempo ou disponibilidade para se responder aos milhares de mensagens recebidas que os novos meios de comunicação existentes proporcionam.
Por mim, o simples facto de estar a enviar esta mensagem, significa tão-só que cada receptor que por se passeie teve, nalgum momento, e tem importância na minha vida. Daí a resposta não ser necessária, por razões que eu presumo óbvias.
E cá vai:
Neste natal...
neste Natal
que ressalta
no sobressalto em que passo?
não me dês as boas-festas
que talvez te façam falta…
empresta-me o teu abraço
e relembremos as gestas
onde em nós luzia apenas
alguma estrela no olhar
onde eram tão pequenas
as prendas feitas de afectos
entre os avós pais e netos
mas tão grandes no cuidar
prendas tão mais solidárias
conjugando a vozes várias
as formas do verbo amar
neste Natal sem poesia
dá de ti tão simplesmente
o que de bom tens p’ra dar
esse abraço
a companhia
e muito principalmente
a alegria sempre urgente
que tu possas partilhar…
Dos «políticos», transitórios e circunstantes, havemos de saber que estão de passagem, Nós, não, estamos para ficar. Por algum tempo, talvez, mas muito mais dilatado que aqueles. E cá estamos.
Então, festinhas das melhores para todos, um prazenteiro 2015 e, sim, com um forte abraço de
Jorge Castro (OrCa)
(Nota de rapa-pé - Esta a mensagem que remeti a todos os elementos constantes da minha extensa lista de endereços. Como seria previsível, ela colheu, afinal, uma magnífica girândola de respostas em forma de poemas, desenhos, singulares manifestações solidárias, ecos múltiplos que, para vos falar com franqueza, enriqueceram o meu Natal. Assim, pois, o meu reconhecimento, publicamente lavrado, a quantos tiveram paciência para me ler).
Etiquetas: Eventos/Poemas, Mensagem
dezembro 30, 2013
2014 também será muito o que fizermos dele...
Uma vez mais me intrometo nos vossos espaço e tempo, mas apenas para vos
manifestar que, independentemente de 2014 não ser coisa de rima fácil - o que
rimará, afinal, com catorze...? - , ele será, no entanto, um ano igual aos
outros E, por isso mesmo, completamente único.
De resto, uns quantos morrerão, uns quantos nascerão, mas há-de haver uma
data de nós que... vamos vivendo. Assim mesmo: vamos vivendo.
Sem jogo de palavras: vamos e vivendo. O que nos acarreta a
responsabilidade enorme de respirarmos, comermos, bebermos, criarmos… Vivendo,
enfim, em cada um dos 365 dias que se antevêem mais próximos .
De preferência, vivendo uns com os outros. De preferência, vivendo,
agradando-nos o que fazemos.
É só e é bastante.
Que 2014 seja, então, um bom ano para o concretizarmos.
E havemos de nos encontrar por aí, para um apetecido abraço. Basta
querermos. É isso o que eu tenho por mais certo.
- Jorge Castro
Etiquetas: Mensagem
abril 07, 2006
Pela Dignidade do Ensino
Razões para petições são mais que muitas.
Os resultados das mesmas... logo se vê.
Entretanto, apoia-se uma boa causa, sem dor nem anestesia e sem grande esforço.
Trata-se apenas de um acto cívico, se a consciência individual o apoiar.
Pela Dignidade do Ensino
Lamentou Stravinsky que as pessoas não fossem
ensinadas a amar a Música, mas apenas a respeitá-la.
Podemos acolher a
ideia e transpô-la para o ensino da língua portuguesa, relevando como é natural
a Literatura, e concluir que a Pátria de todos nós não é amada, nem minimamente
respeitada, mas antes parodiada. Não sabemos se devemos rir ou chorar perante
situações como a de apresentar Frei Luís de Sousa de Almeida Garrett sob o título
Até ao meu regresso...; transformar um soneto de Luís de Camões numa noticia de
jornal, um texto de Fernando Pessoa num requerimento, um auto de Gil Vicente
numa carta de reclamação, ou ainda envolver a poesia de Cesário Verde, o poeta
de Lisboa e Mestre de Fernando Pessoa e heterónimos, com editoriais, textos publicitários
e outros.
Temos assistido а
sedimentação do culto do facilitismo, da permissividade e da ignorância. Entretanto,
valores como a delicadeza, a curiosidade, o espírito de rigor, a exigência, o esforço
ou o brio continuam a ser riscados do quotidiano escolar, com o aval de muitos
que integram o Ministério da Educação. Testemunhámos esse comportamento nas últimas
provas de avaliação do 9є ano, em que se substituiu Os Lusíadas de Luís de Camões
por pontos de um Tratado da União Europeia, se interpretou Alves Redol e Luísa
Costa Gomes com respostas de escolha múltipla e de verdadeiro/falso, se
aprisionou a escrita dos alunos, com a imposição obsessiva de um número
estipulado de palavras, sujeito o seu incumprimento a uma penalização.
Lamentavelmente, situação idêntica se prevê para os próximos exames do 12є ano
do Ensino Secundário, de acordo com informações recentemente chegadas аs
Escolas.
Sabemos que, em boa
parte, este й o resultado da aplicação dos novos programas, no caso especifico
de Língua Portuguesa, aos Ensinos Básico e Secundário.
Porque ao Ministério
da Educação se exige responsabilidade no seu directo envolvimento com o Ensino,
vêm os signatários pedir а Senhora Ministra da Educação que intervenha no
sentido de pôr cobro a esta situação, a qual não dignifica a Escola, enquanto
lugar de continuidade de um património herdado, de aquisição permanente de
novos saberes e de criatividade inovadora.
Etiquetas: Mensagem, Opinião, Pensamento crítico
janeiro 17, 2006
eu voto Manuel Alegre
Até ao próximo domingo, dia 22 de Janeiro,
a minha mensagem aos distintos visitantes é, apenas, esta:
Ainda que aos poetas e aos amantes de poesia
não possa deixar de recomendar o desafio que vos faço
no Sete Mares, aí mais abaixo.
Etiquetas: Mensagem, Opinião
janeiro 14, 2006
ainda um poema de combate...
Este é um exercício de cidadania de que sou autor e que me é sugerido pelos dias descoloridos em que (mal) vivemos:
entre fragas e muralhas percorro os dias a fio
de pedras firmes
cascalhos
se faz de gumes o dia
e há uma vontade de ser a mão que lança a pedrada
contra a vidraça que espelha a face da vilania
contra a mordaça que grassa
entre a angústia e a agonia
contra esta mágoa que oprime
contra a doce hipocrisia
ah ser a pedra que quebra as dores da melancolia
neste país de mortalhas
nestes olhares de fadiga
nestes campos sem batalhas
neste desviver que obriga a ser pária e a ser canalha
dentro da própria camisa
entre fragas e muralhas percorro os dias a fio
ah minha mãe dá-me alento
ah meu pai que tenho frio
contra medos e opressões
contra o cinismo que avança
no dia-a-dia afogado entre lodos e aflições
ah como aquece por dentro um punho cerrado e duro
feito pedra que se lança
à procura do futuro
entre fragas e muralhas percorro os dias a fio
à procura do lugar onde se firma a raiz
do ser que sou
e também daquele outro em que me fiz
na busca de uma verdade que seja a minha matriz
que me grite uma vontade
onde sinta o meu país!
- Jorge Castro
De um poeta para outro, com o mundo todo pelo meio, por entre palavras e afectos, por lutas quantas vezes desencontradas mas convergentes, eu voto em Manuel Alegre.
Etiquetas: Mensagem, Opinião
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