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mundo
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas

Federico García Lorca

Sendo este um BLOG DE MARÉS, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
outubro 30, 2007

será que 'lá fora' também dão tanta atenção a baboseiras destas?...

Hoje, também não vos deixo um poema. Estive três horas numa fila de trânsito e a veia secou-se-me todinha!

Mas aproveitei para ouvir noticiários, estação de rádio a estação de rádio, para ser mais completo o meu suplício, a minha provação. E o que ouvi?

Ora, pois bem, há quase uma semana que vimos sendo bombardeados, por jornais, rádio e tv, com aquela história da fusão do BPI e do BCP. Caramba, eu tenho pena dos jornalistazinhos, obrigados a discorrer (mal) e escrever (muito e, as mais das vezes, mal também) do fenómeno, sinal gritante de que 'algo está podre no reino da Dinamarca'... E porquê?

Ora, porque duas empresas privadas ensaiam uma fusão. Muito bem! O que é que o cidadão dito comum tem a ver com isso? E em que exacta medida é que isso contribui para a nossa felicidade? Desde quando e onde é que já se viu este despautério, em plena via pública, perante duas empresas que se fundem, ou que se federam, ou o que quer que seja que lhes dê na gana?

Irá tal facto contribuir para o enriquecimento nacional? Para a diminuição do endividamento das famílias que têm vindo a cair no logro que entidades bancárias como aquelas lhes estendem? Para uma melhor qualidade e mais baixo preço dos 'produtos' que aquelas instituições fornecem? Nada disso! Então, para quê, senhores, tanta propaganda gratuita a fazer de conta que é notícia?

Ele há muita sabujicezinha! Ele há muito fretezinho! Ele há muita falta de vergonha! Ou, então, ele anda por aí muito parolo à solta neste Portugal dos pequenitos!

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:38


outubro 28, 2007

ah, grande Lisboa!... (8)

Ainda passeando pelos arredores, observando conceitos de estética e divertimento… Todos eles muito respeitáveis, ou talvez não.

Carcavelos tem, sem margem para grandes dúvidas, o mais belo, extenso e aprazível areal de todo o concelho de Cascais.


Lugar convidativo a passeios outonais e invernosos, à beira-mar, para namorados, respeitáveis casais, solteiros com cão, focas surfistas, papagaios diversos, enfim, uma larga panóplia de privilegiados em que me incluo, com indizível prazer e com máquina fotográfica sempre à mão, pois entre a Natureza e os humanos que dela desfrutam surgem sempre infindáveis olhares dignos de crédito.


Os seus (nossos) pores-do-sol dias há - e não são raros - em que, por si sós, são capazes de nos redimir com o mundo.


Ouve-se o mar e o vento. Na extensão do areal, diluem-se os gritos dos mais agressivos ou nervosos, que não chegam, assim, a perturbar a tranquilidade da paisagem ou algum protesto desgarrado de gaivota, mesmo em raros dias de improvável vendaval.

Recentemente, foram iniciadas obras nos seus acessos, que tardavam dezenas de anos e que aplaudo freneticamente.

Mas… - sempre este malfadado mas – desataram também a crescer e a multiplicar-se, quais cogumelos plastificados em terreno adubado a lucros, abarracamentos de novo tipo que gritam estridências de cor e mau gosto no concerto da paisagem, supostamente associados a actividades desportivas parvamente chamadas ‘radicais’, às quais se injectam, à força e sem nexo, conceitos de estética (?) plastificada à 'morangos com açúcar'…

O mundo é belo, senhores. A Mãe-Natureza sabe o que anda a fazer. Integrem-se nela, que diabo! Não é com plástico que os olhos riem nem o coração respira!


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 11:34


outubro 24, 2007

ah, grande Lisboa!... (7)...

... ou o drama suburbano da classe média (cada vez mais) baixa…

Oeiras. Sete horas da manhã. Um dia de sol se anuncia. Será que a vida nos vai sorrir? Como é que estará o trânsito, hoje? E é sempre a mesma rotina: a cem metros da portagem, mesmo (ou sobretudo) na Via Verde começa a bicha-fila ou a fila-bicha, a toldar-nos a esperança, porque, numa rara manifestação de inteligência, após as portagens, quatro filas de trânsito se transformam numa...

Os espertos, os atrevidos e os artistas de circo das estradas começam a saltitar qual pulgas em pêlo de cachorro molhado.

Meia-hora bem batida para chegar à A5… que já está, também, completamente entupida até ao nó de Linda-a-Velha e ao Estádio Nacional, como se anuncia na Antena 1 e está mesmo ali aos olhos de todos.

E lá está ele! Diariamente empedernido! Estúpido! Burlesco! Idiota! A gozar com a cara do pagante que acabou de largar 30 cêntimos na portagem para entrar na bicha-fila! Em todo o seu esplendor, o anúncio da Brisa: TRÂNSITO LENTO – SEJA PRUDENTE.


Mas como e para quê, se o trânsito está, invariavelmente parado? Lá tenho mais de uma hora para chegar a Lisboa, percorrendo 17 miseráveis quilómetros!

Ao menos, mudem-no… Sei lá, qualquer coisa do tipo: TRÂNSITO LENTO – TENHA LÁ PACIÊNCIA, AMANHÃ HÁ-DE SER PIOR… ou VÁ DE COMBOIO, SEU PALERMA, CARROS HÁ MUITOS!

Agora, 'seja prudente' com o trânsito parado, só mesmo contra risco de adormecimento. E, nesse caso, melhor seria instalarem sirenes. E ainda assim eles batem que se fartam!...

Um comentário político: dir-se-á que este caos diário é uma delícia para o poder que, em cada aceleradela, vê entrar mais uns cobres em impostos sobre a gasolina para o Estado.

Uma sugestão (masoquista): e que tal multar estes gajos todos por circularem numa auto-estrada abaixo do limite mínimo de velocidade? Ainda não pensaram nisso... Andam distraídos! É só montar umas camarazinhas... e zás-zás!...


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 22:45


outubro 20, 2007

fotografando o dia (93)


asas
barcos
e água

um voo branco
sobre as cores que povoam a lagoa
bordada de verde escuro

há formas
quase humanas
numa ânsia de voar
brancas
sobre a água
e sobre as cores que povoam a lagoa

- foto e poema de Jorge Castro

- Parque D. Carlos, Caldas da Rainha
*
Positivamente falando...

... deixem-me anunciar-vos a aventura em que um jovem casal de professores portugueses decidiu embrenhar-se:

- numa diáspora algo subvertida, pois o intuito não surge como o procurar o paraíso na terra, mas sim voltar a casa com o enriquecimento da descoberta dos paraísos possíveis, bem como dos infernos inevitáveis, ei-los que partem numa viagem de um ano, calcorrendo as veredas do mundo, em duas dezenas e meia de destinos determinados.

A palavra e a imagem os acompanham. Nós, receptores, vemos e sabemos com os olhares emprestados em Histórias do Mundo - Uma Volta ao Mundo. Mais de 70 000km. Doze meses em viagem. Cinco Continentes. Quatro biliões de pessoas. Três Oceanos. Dois Olhares. Um Planeta Único.

Vejam, disfrutem, vivam e divulguem. Por aí passa, também, um apoio possível. Do aconchego relativo do meu lar, não consigo evitar um estremecimento de inveja... Ou será uma vontade de acompanhar o voo?

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 13:19


outubro 19, 2007

algum desânimo... ainda que muita revolta!

- Temos, em Portugal, 2.000.000 (dois milhões) de pobres, oficialmente reconhecidos, ou seja, cerca de 1/4 da população, sendo que outro tanto vive na dependência de subsídios do Estado para sobreviver;

- Temos, em Portugal, a gasolina mais cara do mundo;

- Temos, em Portugal, fome às escâncaras nos grandes meios urbanos;

- Temos, em Portugal, a electricidade das mais caras do mundo;

- Temos, em Portugal, das mais elevadas taxas contributivas do mundo;

- Temos, em Portugal, a maior taxa de abandono escolar da Europa;

- Temos, em Portugal, uma Ministra da Educação e um Ministro da Saúde absolutamente determinados em acabar com a razão de ser dos ministérios de chefiam;

- Temos, em Portugal, o José Sócrates como Primeiro Ministro;

- Temos, algures, António Guterres como Alto Comissário da ONU para os refugiados;

- Temos, em Bruxelas, Durão Barroso como Presidente da Comissão Europeia;

- Temos, em berço de oiro, Victor Constâncio como Governador do Banco de Portugal – com um rendimento declarado, em 2005, de mais de € 280.000 e aplicações financeiras, também declaradas no mesmo ano, superiores a € 570.000 (vide DN online).

- Temos, em Portugal, o maior treinador de futebol do mundo no desemprego e o outro maior treinador do mundo de castigo internacional, por caceteiro;

- Temos, em Portugal, um Jardim Gonçalves e um Alberto Jardim, o que nos deixa esclarecidos quanto à beleza e majestade das nossas zonas verdes;

Conclusão:

Sabemos que o mundo não está um sítio muito respeitável e apresenta, até, baixos índices de segurança para nele se viver. Mas neste recanto ensolarado do mundo, fede e tresanda de tal forma o desviver e as malas-artes em destruir cada alento de vida que, muito rapidamente, ou inventamos determinação e coragem para correr com estes espantalhos ou, então, talvez não mereçamos mais, realmente, do que vir a ser colonizados por alguém que a tal aventura se proponha…

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 10:52


outubro 15, 2007

convites

"... maldigo la poesía / concebida como um lujo / cultural por los neutrales / que, lavandose las manos, / se desentienden y evaden..." - Gabriel Celaya, in La poesia es una arma cargada de futuro. Com um agradecimento ao Morfeu, veja-se aqui a versão de Paco Ibañez.

Porquê? Ora, porque vem a propósito de tantos dislates que vou ouvindo... e porque me estava mesmo a apetecer!

Entremos no assunto: semana de trabalho poético árduo, em cima do trabalho das rotinas. O melhor que vos posso dar é convidar-vos para as diversas sessões em que estarei envolvido:

1.
Quarta-feira, dia 17, pelas 22 horas, na Biblioteca de São Domingos de Rana - nova sessão de Noites Com Poemas 2, tendo como convidada Ana Paula Guimarães, em redor do tema Poesia Com Tradição.

2.
Quinta-feira, dia 18, pelas 16 horas, na Livraria-Galeria Verney, em Oeiras, sessão a meu cargo, com o tema Poemas Contra A Corrente.


3.
Sexta-feira, dia 19, pelas 21h30, no Padrão dos Descobrimentos, em Belém-Lisboa, apresentação do livro com o relato de viagens pelas quatro partidas do mundo, da autoria de Pedro Mota, com o título Quatro Ventos, Sete Mares... aqui apenas como convidado.

4.
Sábado, dia 20, pelas 16 horas, na Junta de Freguesia de Carcavelos, apresentação do livro de poesia da autoria de Carlos Peres Feio, PodiamSerMais.


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 14:39


outubro 14, 2007

fotografando o dia (92)

- Padrão dos Descobrimentos, Lisboa


conduzir à mão a pena e a caravela
num sonho de poente iluminado

tanto o mar que apetece
e de repente
descobrir o que é do mar
no outro lado

- foto e poema de Jorge Castro

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 12:32


outubro 11, 2007

perplexidades...

- A (pobre, pobrinha) unidade de Oncologia do Hospital de Cascais vai fechar por ser tão pobre, tão pobrinha... Então e não será mais avisado melhorá-la, reconstruí-la, recauchutá-la do que fechá-la?... Os doentes oncológicos deverão deslocar-se a Lisboa, em alternativa? Essa tal curta distância de 25 quilómetros que chega a levar duas horas a percorrer? E recorrerão a quê? A outra Instituição com deficientes condições? É que a oferta é tão pouca...
*
- Catalina Pestana diz que os abusos sexuais sobre menores continuam na Casa Pia - a propósito, o que é que ela lá esteve a fazer? - mas vem de lá a secretária de Estado para a Reabilitação e diz que desconhece tais factos ou eventuais denúncias; mas returque o casapiano Pedro Namora que, sim senhor, aquilo voltou a ser uma pouca vergonha; ao que o seu companheiro de infortúnio, Adelino Granja, se apressa a comentar que nem tanto ao mar, nem tanto à terra... A actual provedora, Joaquina Madeira, diz que nem sabe de nada nem Catalina Pestana a terá informado do assunto, o que Catalina, de imediato, diz que é mentira... Está mesmo tudo a ficar parvo, ou é da minha vista cansada?

Catalina, se estiver cheia de razão, como explicará que, mal passados cinco meses da sua saída, tudo tenha voltado à estaca zero? E não achará que uma denúncia deste teor, assim lançada aos ventos, vai conspurcar tudo e todos, por muita razão que tenha? Se eu fosse funcionário da Casa Pia, creio que estaria agora com vontade de lhe ferrar uma valente e merecida bengalada. É que ele há uma coisa chamada Constituição da República que nos fala do direito ao bom nome e reputação... A suspeita sem nome nem cara atinge todos. Ainda que quem se lixe sejam geralmente os mais fracos, os coxos, com menos 'pernas' para fugir, claro...
*
"39,2% de abandono escolar em 2006; 35 mil docentes no desemprego; investimento na tecnologia da educação 48% da média europeia e 80% das despesas das escolas em Tecnologia de Informação e Comunicação a serem suportadas maioritariamente por receitas próprias, professores no ensino oficial a ganharem à hora (vulgo recibo verde), por trabalho à peça" - isto é tudo verdade, senhora Ministra? Esclareça-nos depressa, carais, que a coisa assim está preta!
*
Porque será que eu pago, todos os dias, das sete às dez da manhã, uma portagem de 30 cêntimos, em Oeiras, para percorrer 15 quilómetros numa hora e meia de 'bichas' até Lisboa? Pelo caminho vou largando os impostos sobre o combustível, os impostos sobre a aquisição da viatura, o imposto de circulação... Por este andar, um destes dias pago isto tudo para andar parado. Está bem, a esta respondo eu: é porque sou parvo. Está certo e adiante, que o assunto não interessa nada, nem a ninguém!
*
Na rua onde habito vai para vinte e cinco anos só vi uma vez um carro-patrulha da polícia, e foi porque houve um acidente tramado à minha porta e alguém os chamou. Estou, pois, cheio de inveja daquele sindicato de professores que, só porque o Sócrates andava nas imediações, teve direito a uma visita privada da polícia e, ainda por cima, lhes acartaram uns papéis velhos que tinham lá para um canto... É assim: isto já não há igualdade de direitos ou de oportunidades!
*
Ele há a doença do nemátodo que ataca os pinheiros, ali na margem sul do Tejo. Vai de os abater, para não haver contaminação ao país inteiro. Diz que o custo era de três milhões de euros, mas o milhão de pinheiros a abater passou para cinco milhões, que isto das doenças, em pegando, é de estaca! Bruxelas, condoída, manda dezassete milhões de euros para ajuda. A empresa que deitou abaixo os pinheiros diz que, afinal, o trabalho arremata-se por setenta (!!!) milhões... Mas, bem negociado, está na disposição de se ficar pelos trinta milhões de euros (!!!???). Eeeeeeeeeena, pá.... tantos milhões!!!!
*
Mas o que é que esta tropa fandanga toda anda a fazer com o dinheiro dos impostos? A mim o que sinceramente me espanta é que nesta terra não haja (ainda) mais poetas!

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 22:50


outubro 07, 2007

fotografando o dia (91)


não
não é uma ficção
nem um ser alienígena
que criou um terminal à porta de algum indígena
fica ali
no meu portão
como louco emaranhado da era da comunicação
mijam-lhe os cães
trepam gatos
assiste a mais desacatos
de quantos a tevê dá
é apoio de paragem
do ónibus da carreira
e apoia a vadiagem que de tal poste se abeira
à espera do deus-dará

tronco de eucalipto velho escuro de tanto engelho
quando a noite fala baixo
olhando p’ra ele eu acho
que por ele sonso desliza
rua fora por vingança
tangido por leve brisa
cada segredo que passa por cada fio que lança
pelos céus da vizinhança…

e se lhe assenta qual luva que ao careca dá inveja
a sua farta cabeleira
até nos cobre da chuva
impede que o sol se veja
parece cruz…
sendo asneira!


- foto e poema de Jorge Castro

(Nota - Este poste encontra-se, de facto, bem à porta de minha casa e, como milhares e centenas de milhares por esse país fora, enche-nos o céu e as casas dessa imensa profusão de cabos. É mais uma dessas obscenas estéticas com que nos habituamos a viver e que emporcalham toda a veleidade atrquitectónica, ao pendurarem-se, tentaculares, nas paredes das casas. Manifestação desconchavada de terceiro-mundismo, pretendem alguns que seja 'o preço a pagar' por certa ideia de progresso. Mas não, deixemos-nos de lirismos desajustados! Trata-se apenas de fazer o servicinho pelo mais baixo preço, que a maralha, aparentemente sem revolta, não merece mais!)

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 23:03


outubro 05, 2007

ah, grande Lisboa!... (6)


Para que não se diga que não falei em flores...

Porque um olhar desassombrado nos deve levar a ver o que é positivo, tanto como o negativo - sempre passeando o nosso olhar pela imensa riqueza do contraste e da diferença - quero dar notícia de algo com que deparei recentemente e que reputo da mais alta qualidade.

Falo-vos do livro de Ernesto Matos, com o título Assinaturas - um passeio poético pela calçada portuguesa.

Recomendo vivamente, tanto quanto o seu sítio CALÇADA PORTUGUESA (encontrareis aí forma de contactar o autor). Um livro onde a poesia das palavras se funde com a poesia das imagens belíssimas sobre calçada portuguesa, também através das formas distintivas a que cada artífice lançou mão para deixara sua marca na obra feita.

O testemunho de uma forma distintiva da portugalidade no mundo.

Na verdade, um mundo aos nossos pés.

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 17:24


outubro 04, 2007

ah, grande Lisboa!... (5)


Não está tudo assim, mas há tanta coisa assim, senhores!...

Mesmo ali, junto ao castelo de São Jorge, no que seria uma zona ex-libris para os lisboetas e uma área nobre da imagem de Lisboa que pretendemos exportar, nas ruinhas repletas de turistas, colhendo fotografias a torto e a direito, fazemos questão - assim parece, pelos vistos - de dar de nós o ar do desmazelo e da parolice.

Uns cêntimos para o reboco, é mentira; a portinha em alumínio reluzente, é verdade. Pelo caminho, aqueles misteriosos cabos que cruzam tudo o que é frontaria de prédio, como se de praga viral se tratasse, a modos que varizes da cidade...

Pobre Travessa do Funil, onde se afunila este desinteresse militante e aculturação aos gritos, que nos deixa pasmos de como é que nos deixamos desvalorizar tanto!

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 19:52


outubro 03, 2007

poesia vadia, hoje

A Ler Devagar e a Eterno Retorno, ambas conhecidas e renomadas livrarias do Bairro Alto, conciliaram esforços e, no seguimento de vicissitudes várias, iniciaram um projecto comum no Braço de Prata.

As sessões de Poesia Vadia, com uma existência regular de cinco anos, foram também perturbadas pelas invocadas vicissitudes. Mas irão agora retomar outro alento nestas novas instalações, tendo a primeira sessão lugar já hoje, dia 03 de Outubro, pelas 22 horas.

Ler, então, devagar e num eterno retorno em braço de prata, parece-me bem...

Como sempre, aos interessados, pedem-se poemas e disposição de partilha.

A regra de ouro é apenas uma: não haver regras.

Até mais logo, então.

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 10:16


outubro 02, 2007

ah, grande Lisboa!... (4)

- miradouro de Santa Luzia

Lisboa tem rio e mar sempre por perto. Os homens é que se afastaram deles, convencidos de que rio e mar são só caminhos. E porque os dias de hoje os fazem lentos tornam-se, então, dispensáveis.

Mas eles são mais do que caminhos. Vai neles correndo o sangue que em nós palpita, esse sangue onde talvez singre a nossa alma e que tantas vezes consideramos dispensável.

Isso leva-me a pensar que o rio e o mar afinal são feitos de nós e nós somos feitos deles.

Faz lá algum sentido esse olhar tão distanciado…

É como não escutar os gritos de socorro que cruzam a cidade perante a indiferença das consciências adormecidas.



- junto a um painel da Junta de Freguesia do Socorro, os velhos azulejos desmoronam-se, sem serventia e sem atenção, como todos os velhos.

- fotos de Jorge Castro


Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 00:39


outubro 01, 2007

as palavras enleadas com afectos...


... são para servir à mesa com o condimento que cada um achar mais apropriado.

No dia 27 de Setembro, na Casa Fernando Pessoa, em Lisboa, lá estivemos, com o Jorge Casimiro e o seu excelente livro murmúrios ventos, dando a voz aos seus poemas. Pedi emprestada a foto ao Dionísio Leitão:


Depois, no sábado, dia 29, muitos dos sessenta e seis autores, na Biblioteca Municipal de Cascais, em São Domingos de Rana, degustaram o prazer do convívio e da partilha, em torno do lançamento dos dois volumes (III-Poesia e IV-Prosa) do projecto Escrever É Um Lugar Tão Perto.








Como se esperava, nada de transcendente. Apenas os tais "gritos no céu e actos na terra", do Gabriel Celaya, e esses, meus caros amigos, já ninguém no-los tira!

Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 01:04


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noites com poemas 2


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