Janeiro 28, 2006
fotografando o dia (9)
visão algo apologética
diverso o contraditório
e o acaso ambulatório
confronta o autor noutra ética
dá-se o caso aleatório
dele se apurar noutra métrica
vendo-se imagem simétrica
em inox de mictório
é este pois o arquétipo
que nada tem de esotérico
faz-se o mundo de um rosário
diverso e contraditório
- poema e foto de Jorge Castro
Janeiro 26, 2006
fotografando o dia (8)
redes e aparelhos e mar
e eu tão pequeno
a remar
o mar sempre tão azul
ao longe verde
e a sul
mar é de quem dele se teme
o meu chão é este barco
a minha pena este remo
peno eu mais se desembarco
- poema e foto de Jorge Castro
Janeiro 24, 2006
batendo ainda no ceguinho...
Comentando um comentário do amigo
Morfeu, a propósito do "inadvertido" atropelamento socrático ao candidato Alegre, lá deixei dito:
De notar, também, neste episódio à Maquiavel de trazer por casa, a pressinha lesta com que todas as televisões desviaram a atenção do Manuel Alegre para o Sócrates.
Afinal, quem é que estava a concorrer? Que relevância relativa tinha o responsável-mor de qualquer dos partidos que lhe permitisse alcandorar-se acima de qualquer dos candidatos?
Mas os campeões das louvaminhas acorreram pressurosos ao ouvirem a voz do dono...
Entretanto, por entre tanta explicação canhestra, registe-se a ausência de um único e elementar pedido de desculpas formal pela ocorrência.
Assim vai a nossa estrebaria-mor.
Outra reflexão por mim deixada lá pela
Catedral, do amigo Ognid:
Vivíamos um período socrático... Agora chega-nos o Aníbal...Se alguém vir por aí elefantes, rejubilemos: historicamente, deve estar para breve a destruição de Cartago!
Janeiro 22, 2006
e pronto! mesmo à rasquinha, parabéns ao Sócrates...
... pois ninguém me tira da cabeça que a vitória do professor Cavaco constitui, como venho dizendo de há uns tempos a esta parte, o resultado eleitoral mais favorável ao engenheiro Sócrates.
Aí teremos por vários anos a "estabilidade" tão cara a esta gente, que lhes vai permitir singrar no mar da pasmaceira em que todos nos vamos afogando, tão cheios de amarras, quando não de âncoras, que nos atrofiam enquanto pessoas e enquanto povo.
Sócrates e o seu séquito fizeram de tudo, durante o próprio decurso da campanha, para denegrir aquilo que se poderia chamar, algo eufemisticamente, o "sentir de esquerda". Desde as pseudo-hesitações da campanha, até às mais impopulares medidas tomadas nas últimas semanas, tudo valeu para descredibilizar qualquer "projecto de esquerda", abrindo caminho ao "redentor e salvador da pátria".
Estranho, mas significativo, que nem Sócrates nem Soares tenham dedicado uma única palavra aos demais candidatos, para além do professor Cavaco. Significativo e sintomático.
Numa última pantominice revanchista, o senhor engenheiro até decidiu botar faladura em cima das declarações de Manuel Alegre. Um chiste! Um triste! Um traste!
Aos senhores analistas políticos de serviço que, sem excepção, vitoriam Cavaco há meses, gostaria de perguntar - a esses tão fiéis seguidores da doutrina das sondagens, uma fé de novo tipo - se não consideram que o seu bajular indecoroso constituiu o mais reles exercício anti-democrático pelos intuitos claros de condicionamento das opiniões.
Na verdade, ao ouvi-los fica-se, até, com a sensação de que já nem se justifica o trabalho de ir votar. Bastam as sondagens! Elas e só elas lhes determinam e capacitam o poder de análise. Ainda assim, dos 72% "garantidos" de votos no professor Cavaco, em campanha despudorada de há poucas semanas, desaguaram nuns rasantes 50% e uns trocos. E nenhum dá a cara para emendar a mão. Para quê? Já tudo passou... Um asco! Uma pulhice! Uma putice!
Por fim, os 20,7% dos votos efectivamente colhidos por Manuel Alegre mostram, numa análise assumidamente simplista, que há 1.000.000 de portugueses (ou, melhor, para cima de 1.120.000) fartos desta trampa toda e cheios de vontade de mudar o estado de coisas.
Esses, a que nada me custa juntar os votos nas candidaturas de Jerónimo de Sousa e de Francisco Louçã e, até, de Garcia Pereira, são o grande capital de esperança que me permitirá encarar o dia de amanhã como mais um dia de combate pela vida.
Como mais um dia em que esse combate faz sentido.
da esperança...
Cá por mim, logo pela manhã, montei o meu Rocinante escanzelado e fui votar, claramente contra os moinhos de vento.
O dia apresentava-se de neblina, mas não se perderam os meus passos.
Já votei alegremente.
E sabem que mais?
Na última sondagem realizada cá por casa,
ganha o Manel, com maioria absoluta.
(Ah, hoje não podem divulgar-se sondagens?... Pois, não sabia...)
Janeiro 17, 2006
eu voto Manuel Alegre
Até ao próximo domingo, dia 22 de Janeiro,
a minha mensagem aos distintos visitantes é, apenas, esta:
Ainda que aos poetas e aos amantes de poesia
não possa deixar de recomendar o desafio que vos faço
no Sete Mares, aí mais abaixo.
encontro A POESIA NOS BLOGS - inscrição
Amizades,
Conforme prometido, estou a informar que estão abertas as inscrições para o encontro
A POESIA NOS BLOGS, que terá lugar no dia
04 (sábado) de Março de 2006, na Quinta da Ribeirinha, na Póvoa de Santarém (a meia-dúzia de quilómetros de Santarém – mapa a publicar).
Até à data, manifestaram o seu interesse em participar cerca de 35 autores (sem contar com acompanhantes) o que me leva a esperar que, a transformar-se esse anúncio de interesse em participação efectiva, poderemos estar em presença de um encontro que aliará, a uma forte componente de afectos, um inegável e certamente interessante pendor cultural.
Mais pormenores do evento encontram-se no lado esquerdo deste blog, disponíveis para consulta e serão diariamente (ou quase…) actualizados. Aconselha-se vivamente a sua leitura, para melhor esclarecimento.
As inscrições estarão abertas até ao próximo dia 15 de Fevereiro e deverão ser efectuadas através do meu email:
jorcas@netcabo.pt.
MUITO IMPORTANTE: a organização deste encontro implica a reserva do espaço da Quinta da Ribeirinha exclusivamente para os participantes. Daí que eu deva assumir o compromisso da presença mínima de 50 pessoas, com o risco daí decorrente.
O jantar custará 20 Euros por pessoa e esse é o valor da inscrição.
Assim, espero a vossa melhor boa vontade e colaboração, depositando no meu
NIB 0033 0000 00188713889 05
aquela importância, com a brevidade possível, depósito do qual me farão referência através do email acima. Eu acusarei a recepção, naturalmente. No quadro respectivo, o pagamento surgirá como “confirmação da inscrição”.
Enfim, este não será o esquema mais simpático, mas julgo que todos compreenderão.
Desde já, declaro solenemente que não consta dos meus projectos a curto-prazo ausentar-me para qualquer parte incerta nos meses mais próximos…
Na inscrição por email peço o favor de referirem:
Nome - blog e respectivo url - acompanhante, se for o caso
- Se optarem por refeição vegetariana, agradeço referência específica.
- Se alguém quiser partilhar o seu transporte, disponibilizando boleias, informe de onde parte e qual a forma de contacto, que eu irei divulgando no Sete Mares.
- Se alguém necessitar de alojamento até ao dia seguinte (cansaço, emoções, bebidas, etc.), peço o favor de o anunciar, pois haverá possibilidade de recorrer a uma unidade hoteleira muito próxima, com preços “para amigos” (de que ainda estou a aguardar informação mais precisa quanto a valores).
Aos autores que disponibilizem dois poemas para futura publicação sobre o evento, agradeço, também, informação respectiva, tipo “conta com dois poemas meus”, ou “um poema meu e outro do acompanhante”, ou “dois do acompanhante”, etc..
A este propósito, sugere-me a TMara (e bem) que os autores levem os seus poemas também em suporte informático (disquete, cd...), com o nome do autor (ou nick), blog respectivo e algum outro elemento identificativo que muito bem entendam, o que facilitará o futuro trabalho de edição e garantirá um produto final mais próximo do estilo de cada um, evitando gralhas imputáveis a terceiros, etc.. Boa sugestão. À vossa consideração.
Para a FEIRA DO LIVRO cada um é livre de trazer as publicações de sua autoria que muito bem entender. Haverá, no local, apoio logístico para as “boas contas”.
Irei actualizando a “grelha” com as inscrições à medida que elas forem dando entrada. Agradeço que me chamem a atenção se detectarem alguma anomalia.
Pronto, para já, é tudo. Daqui para a frente, é convosco.
Um abraço
Jorge Castro
Janeiro 14, 2006
ainda um poema de combate...
Este é um exercício de cidadania de que sou autor e que me é sugerido pelos dias descoloridos em que (mal) vivemos:
entre fragas e muralhas percorro os dias a fio
de pedras firmes
cascalhos
se faz de gumes o dia
e há uma vontade de ser a mão que lança a pedrada
contra a vidraça que espelha a face da vilania
contra a mordaça que grassa
entre a angústia e a agonia
contra esta mágoa que oprime
contra a doce hipocrisia
ah ser a pedra que quebra as dores da melancolia
neste país de mortalhas
nestes olhares de fadiga
nestes campos sem batalhas
neste desviver que obriga a ser pária e a ser canalha
dentro da própria camisa
entre fragas e muralhas percorro os dias a fio
ah minha mãe dá-me alento
ah meu pai que tenho frio
contra medos e opressões
contra o cinismo que avança
no dia-a-dia afogado entre lodos e aflições
ah como aquece por dentro um punho cerrado e duro
feito pedra que se lança
à procura do futuro
entre fragas e muralhas percorro os dias a fio
à procura do lugar onde se firma a raiz
do ser que sou
e também daquele outro em que me fiz
na busca de uma verdade que seja a minha matriz
que me grite uma vontade
onde sinta o meu país!
- Jorge Castro
De um poeta para outro, com o mundo todo pelo meio, por entre palavras e afectos, por lutas quantas vezes desencontradas mas convergentes, eu voto em Manuel Alegre.
Janeiro 08, 2006
Encontro de poetas e de amantes de poesia dos blogs
Da troca de correspondência que tenho mantido com a gente dos blogs que me fez o favor de se manifestar relativamente ao desafio que lancei para um encontro nacional de poemas e de poetas dos blogs, creio poder anunciar, até ao momento, os seguintes interessados (por ordem alfabética):
Dois esclarecimentos:
1. Quando referi que cada participante (não os acompanhantes) devem fazer-se acompanhar de dois poemas inéditos, melhor será considerar poemas não publicados em livro. Fará todo o sentido que cada um seleccione poemas que, porventura, já tenha editado no blog em que participa;
2. Se as metas propostas quanto às manifestações de interesse forem atingidas - e tudo leva a crer que o serão - até ao próximo dia 15 de Janeiro, logo no dia 16 abrirão, então, as inscrições a sério, sendo que esse período deverá prolongar-se até 15 de Fevereiro.
E, agora, com pompa circunstancial: a organização (que sou eu...) reserva-se o direito de estender os convites a outros amantes de poesia se, após o fecho das inscrições, se verificar ainda alguma necessidade de "compor a sala".
Qualquer rectificação, sugestão, apoio ou declaração de interesse, muito agradeço que seja dirigida para:
jorcas@netcabo.pt
- Jorge Castro
Janeiro 03, 2006
Desafio: encontro de poetas e de amantes de poesia dos blogs
Esta primeira mensagem sobre este assunto destina-se, apenas, a colher as vossas opiniões e, também, a solicitar a vossa ajuda na divulgação.
Assunto: proposta de participação num encontro nacional de gente dos blogs ligada à poesia.
Que não se entenda esta limitação como qualquer descriminação aberrante, mas apenas como um mero elemento aglutinador temático.
Alguns elementos definidos:
- Local: Restaurante da Quinta da Ribeirinha, na Póvoa de Santarém (a meia dúzia de quilómetros de Santarém). Data aprazada: dia 04 de Março (sábado), com início às 17h30 e… noite adentro. O custo da refeição rondará os 20 euros (os quais julgo estar em condições de garantir que ninguém chorará).
- Os futuros inscritos (que poderão levar acompanhante) terão de se fazer acompanhar, também e como condição de inscrição, por dois poemas de sua autoria, de temática absolutamente livre e preferencialmente inéditos, que virão a integrar uma edição sobre o encontro, em “literatura de cordel”, da Editora Apenas Livros, Lda.. Os poemas deverão ser apresentados (ditos) durante o encontro.
Os pormenores da publicação virão a seu tempo, mas pode adiantar-se, desde já, que cada poema será identificado, no livro, com o nome ou o pseudónimo que cada um queira disponibilizar, bem como o blog (e respectivo endereço) que representa.
Haverá um número limitado de inscritos no encontro (ainda que bastante alargado - número mínimo 40), pelo que haverá necessidade de definir prazo-limite para recepção de inscrições. Estas serão definidas - por razões óbvias de reserva do espaço e responsabilidade a assumir por este humilde proponente - pelo pagamento antecipado do custo dos encargos com a refeição (através de NIB a indicar oportunamente).
Poderá admitir-se a delegação em terceiros que representem os autores, por sua manifesta impossibilidade de deslocação ao evento.
Haverá uma pequena Feira do Livro com obras dos autores presentes que estejam interessados em disponibilizar exemplares para venda directa, revertendo o produto da mesma integralmente para os respectivos autores.
Provavelmente, o encontro virá a ser mediatizado.
Que me dizem? Independentemente dos contactos já efectuados, a vossa opinião é determinante para a viabilidade do projecto. Peço-vos, então, o elevado favor de me fazerem chegar manifestação do vosso eventual interesse até 15 de Janeiro corrente, através do meu endereço de email: jorcas@netcabo.pt .
Se, em 16 de Janeiro, se confirmar que o projecto tem pernas para andar pelo número de participações anunciadas, dar-se-á então início à efectivação das inscrições, com a solicitação dos elementos identificativos.
Cordiais saudações.
- Jorge Castro
NOTA de 05 de Janeiro, pelas 23h 00: até este momento manifestaram-me o seu interesse em participar na iniciativa 18 bloggers. A coisa vai ficando composta...
Janeiro 01, 2006
2º aniversário do Sete Mares
Aos meus amigos,
Festa de passagem de ano 2005/2006
e comemoração do 2º aniversário do Sete Mares,
e lá passou mais um ano
- como outros aliás…
do início auspicioso que espreita lá de trás
aos compromissos airosos que são assim por sinal
por cada ano ser feito pelo jeito tão ufano
numa ancestral teimosia
de o mundo se renovar uma vez em cada ano
por alturas do natal
certezas são mais que muitas com que iludimos enganos
olhando o passar dos anos como um rol de desenganos
roubando tranquilamente ao ar que cada respira
a qualidade que à vida a nossa vida retira
pelo caminho deixamos um ou outro solstício
aqui e além o equinócio
sempre perto o precipício
centrifugados que vamos no universo de mil sóis
e nós por cá todos bem – cervejinha e caracóis
centrípetos convencidos que a cada passo que damos
nos vamos chegando ao fim
em tudo que iniciamos
e afinal não é tal
nem é tudo bem assim…
cá por mim nesta passagem do ano que se cumpriu
apeteceu-me a viagem de ter de vós um abraço
de renovar o contrato
não só por um mas por mil
novos anos
que de enganos
certezas e incertezas a tentear cada passo
que eu dou no embaraço de aperceber desenganos
me traga um cantar de amigo
me traga esse doce enlace de convosco ir de partida
de sentir a cada passo a doçura desse mosto
que o gosto bom de um abraço nos pode trazer à vida
e se o acerto do cosmos nos trouxe mais um segundo
no desacerto do dia que é dia nosso no fundo
que este segundo nos sirva então para dar o abraço
que sendo pouco pareça ser do tamanho do mundo.
- Jorge Castro
de 31 de Dezembro de 2005 a 01 de Janeiro de 2006
numa ceia em casa de APC e família, rodeado de amigos
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