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mundo
Todas as coisas têm o seu mistério
e a poesia
é o mistério de todas as coisas

Federico García Lorca

Sendo este um BLOG DE MARÉS, a inconstância delas reflectirá a intranquilidade do mundo.
Ficar-nos-á este imperativo de respirar o ar em grandes golfadas.
dezembro 22, 2013

com votos de boas festas
e alento novo para encarar 2014,
também o Natal é o que um poema trouxer...

Que seja, então este o meu melhor voto a quantos fazem o favor de me visitar: que tenham artes de reinventar o presente, alento e ânimo para encarar o futuro, sacudindo as funestas grilhetas dos medos e da inacção. O futuro vem aí, quer queiramos, quer não... Melhor, então, encará-lo de frente, mostrando que somos gente e, ainda mais do que isso, todos juntos somos nação.

 Por aqui e junto de tantos afectos, cumprimos a 92ª sessão das Noites com Poemas.



Como sempre, o abraço de boas vindas aos que se disponibilizaram a aceitar o convite para enriquecerem com a sua presença estes nossos encontros...


... e, desses, um especial abraço a José Colaço e com ele aos Estrelas do Guadiana com quem, em boa hora, temos vindo, uma e outra vez, a cruzar caminhos, dando corpo e voz às palavras na dolência única do cante alentejano.



Dolência que a todos embalou através da magia que nos transporta, intrépida por vezes, combativa, meiga tantas vezes, ou brejeira, de uma alegria contida a que, se me permitem a fraqueza de uma confissão, não encontro formas de resistir.


E, depois, a cadência fraternalmente abraçada, a entoar cânticos de muitas vozes unidas num só sentir... Ah, só nos faltou mesmo a paisagem alentejana em fundo. Ainda que, para quem quisesse semicerrar os olhos, nem isso lhe faltaria.


Logo a seguir, num contraste ainda assim preenchido pelas cumplicidades que a música acarreta, o violinista Luís Morais, acabadinho de chegar de Viena de Áustria, com a presença de quem já tivemos oportunidade de contar, sempre em inesqueciveis momentos, presenteou-nos com a sua mestria e virtuosismo, com trechos de música erudita.  


De personalidade simpática mas discreta, tanto quanto arrebatador é o seu desempenho, Luís Morais encheu a sala e preencheu-nos o espírito...


... escandalizando quem o ouviu pela primeira vez, por esse elementar facto, tão nosso conhecido, de não serem divulgados os grandes valores culturais do país. De facto, o desconhecimento da existência e da obra de gente portuguesa desta estirpe, só nos empobrece. E, por vezes, irremediavelmente!

Grande Luís! Por aqui, meu caro, terás sempre o tempo e o espaço que te são devidos... por nossa causa e para nosso gáudio.

Logo mais, alguns dos amigos mais fiéis e constantes, a dizerem presente, com o tal poema que nos trouxesse os diversos e desvairados modos do Natal:  

- João Baptista Coelho

- Carlos Pedro

- Tina

- Rosário Freitas

- Eduardo Martins

- Ana Freitas

Francisco José Lampreia

- Maria Maya

- José Colaço (Um abraço, grato, pela distinção...)

- Emília Azevedo

E, após outra notável audição da arte de Luís Morais, chegou a hora de anunciar encerramento da sessão, não sem que antes se cumprisse um passeio pelo bolo-rei e vinho do Porto, a compõr os corpos dos espíritos bem preenchidos.

Um passeio também por algumas originalidades editadas pela Apenas Livros e, como tantas vezes acontece nestas sessões...


... mesmo já passada a festança, permanece o convívio. Desta feita, com belas vozes na sala, rapidamente se organizou um despique de cantorias de encantar...


... e lá fomos ficando, sem vontade de terminar o que sempre começamos!


Que as nossas vozes, enfim, nunca nos doam nestes caminhos fraternos.


- Fotografias de Lourdes Calmeiro

Por fim... não comprei nada este Natal e, ainda assim, vou oferecendo sempre qualquer coisa, o que me traz invariavelmente riquezas acumuladas, que nem sei onde guardar no armário dos afectos. Felizmente, não tem portas este armário...
Votos meus, para quantos por aqui passem, de boas festas e de um ano de 2014 em que saibamos sempre de nós, quem somos e porque somos, celebrando a vida também pela voz do poeta José Gomes Ferreira ao dizer-nos que penso nos outros, logo existo.
Quanto ao mais, rabanadas, filhós e azevinho, feitas e colhido pelas nossas mãos, mais presépio menos presépio, alguns minutos dedicados a acender as nossas memórias, principalmente as que nos chegam dos lugares não preenchidos em redor das nossas mesas, com um brinde a todos... de preferência com um vinho português, pois que não há-de haver gosto como o nosso!

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Afixado por: Jorge Castro (OrCa) / 20:17


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